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Receita

PRA GENTE, RECEITAS E boas HISTÓRIAS
FORAM FEITAS PARA COMPARTILHAR

São diversas receitas com afeto, pesquisadas em várias cozinhas brasileiras,
para você se inspirar e quem sabe até fazer em casa.

CALDO DE PIRANHA – MATO GROSSO


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GRAU DE DIFICULDADE: facil

RENDIMENTO: de seis a oito porções

TEMPO DE PREPARO: 1h30

CHEF: Elzi Reis

ESTADO: Mato Grosso

ingredientes

-1 quilo de tomates bem maduros
-1 xícara de chá de pimentões picados
-2 xícaras de chá de cebola picada
-2 xícaras de chá de cebolinha picada
-1 xícara de chá de coentro picado
-2 xícaras de chá de molho de tomate
-700 gramas de piranha
-3 colheres de sopa de azeite
-1 ½ xícara de farinha de mandioca
-2 ½ litros de água quente
-2 colheres de sopa de alho
-Pimenta-de-cheiro a gosto
-Sal a gosto

MODO DE PREPARO

1 – Ferva as piranhas e, com as mãos, tire sua pele e seus espinhos. Em seguida, desfie a carne e reserve;
2 – Bata no liquidificador a cebola, o tomate e o pimentão;
3 – Aqueça uma panela e refogue o alho no azeite. Acrescente a carne da piranha e, em seguida, a mistura feita no liquidificador;
4 – Acerte o sal e coloque toda a água, quando ferver acrescente a farinha de mandioca aos poucos e vá mexendo sempre, não pare de mexer pois o caldo irá empelotar;
5 – A cada vez que colocar um pouco de farinha, espere um pouco para verificar como a consistência do caldo está ficando, deve ficar parecida com a consistência de um caldo de mandioca ou de feijão;
6 – Finalize com a salsinha e o coentro e sirva.

Dicas

Dicas

-Para que a farinha de mandioca comece a engrossar o caldo é necessário esperar alguns minutos. Sendo assim, coloque no caldo, mexa e espere um pouco. Se colocar muita farinha, você terá um pirão
-Quem não gosta de coentro pode substituí-lo por salsa, em menor quantidade

História

Com seus dentes afiados capazes de quebrar ossos do dedo humano, devorar capivaras, onças e macacos, a piranha é um temido predador. Mas é também uma ótima presa: com carne firme e magra, é um peixe excelente para fazer caldo ou fritar, diz Gilmar Reis, pescador profissional do Mato Grosso.

Às margens do rio Paraguai, na cidade de Cáceres, no Pantanal norte, Gilmar conta que, para pescar piranha, é preciso primeiro capturar a isca. Ele lança sua rede no rio e retira dela pequenos peixes, que serão utilizados para pegar a piranha.

“A piranha pega qualquer tipo de isca. Mas a gente usa mais o sairu, o piau e o lambari”, diz. O papo de que é preciso sangue para pegar piranha é mito. “Ela pega qualquer coisa, viva, morta ou podre. Só não é bom usar a própria piranha e a corvina de isca. De resto, tudo é bom.”

Com as iscas capturadas, o ideal é se encaminhar para a parte rasa do rio. “Na época de seca tem mais piranha. Ela não é um peixe de água suja. Se chove e suja a água, fica mais complicado capturá-la. Na maré baixa, com água limpa, tem piranha em abundância.”

Retirar o bicho do anzol requer cuidados. Ele permanece vivo por um bom tempo depois de retirado da água, então é preciso segurá-lo pela guelra. “Somente assim o peixe está dominado. Caso contrário, ela vira e leva seu dedo.”

Num rancho às margens do rio, Gilmar limpa as piranhas fazendo um corte na barriga e retirando as vísceras, para depois usá-las num caldo. Apesar da abundância do peixe na região, é pouco comum encontrá-lo no cardápio de restaurantes. Na casa dos pantaneiros é outra coisa.

“Desde que nasci, no primeiro ano de vida, já fui tomando caldo de piranha”, diz Gilmar. Elzi, sua mulher, é quem prepara. Lava os peixes em água corrente e os coloca na panela para cozinhar.
Depois, tira pele e espinhos e desfia a carne todinha. Em outra panela, refoga alho, cebola, e outros temperos.

Então, adiciona a carne desfiada e mistura. Minutos depois, está pronto.

“É uma delícia. A piranha não deixa cheiro forte no caldo. E mesmo com o calor a gente toma desde criancinha”, diz Gilmar.

Gilmar Reis
ONDE barra do Sepotuba (rio Paraguai), Cáceres, Mato Grosso, tel. (65) 99614-3859