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Qual a melhor pinga do Brasil?


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Minas Gerais é a capital da cachaça e da pinga, com mais de 3 mil rótulos registrados. Porém, está longe de ser o único polo produtor de qualidade. Quem afirma é o consultor de destilados César Adames, que mapeou (e degustou!) os caminhos da “marvada” por todo o Brasil. E ele avisa: “Minas concentra entre 60% a 70% da produção registrada, seguida por São Paulo. Mas fiquem de olho também nas cachaças produzidas no Sul e no Nordeste”.

E qual é a melhor “pinga”? A resposta varia conforme o momento e o ranking, fatores que nem sempre levam em conta a complexa história da bebida. A fotografia mais recente, segundo Adames, resulta do teste cego promovido pelo jornal O Estado de S. Paulo, em janeiro de 2018, batizado de Ranking da Cúpula da Cachaça. No segmento das Cachaças Ouro, a mineira Vale Verde 12, produzida em Betim e maturada por 12 anos em carvalho, leva o primeiro lugar, pelo segundo ano consecutivo, com nota 88,4. É seguida no pódio pela Magnífica Reserva Soleira, de Vassouras (RJ), envelhecida por três ou mais anos no carvalho, nota 87,9; e a Companheira Extra Premium, de Jandaia do Sul (PR), que fica oito anos no carvalho, nota 87,3. Já no segmento de Cachaças Brancas, a vencedora foi a Princesa Isabel Aquarela, de Linhares (ES), maturada por três anos no jequitibá, nota 82,7.

Adames também chama a atenção para outros destaques, a exemplo da destilaria Weber Haus, de Ivoti (RS), na região metropolitana de Porto Alegre. O alambique é comandado por uma família de ascendência alemã desde 1948, com produção atual de 255 mil litros ao ano. Está disponível em 23 estados é importada para 14 países.

Dos 32 rótulos da linha de cachaças, quatro foram premiadas no segmento Ouro do ranking do Estadão. Em quinto lugar, a Extra Premium Lt. 48, envelhecida por cinco anos no carvalho francês e um ano no bálsamo, nota 85,5. Em sexto, a Weber Haus Amburana, que passa um ano em madeira de amburana, nota 85,2. Em oitavo, a Leandro Batista, um blend de maturação em amburana, bálsamo e canela-sassafrás (um ano em cada), nota 84,2. Por fim, em 12º, a Weber Haus Premium 7 Madeiras, outro blend de dois anos em barris de carvalho-francês, carvalho-americano, bálsamo, cabriúva, amburana, grápia e canela-sassafrás, nota 83,3. Embora não esteja neste ranking, outro ponto alto é a pinga envelhecida por um ano em canela-sassafrás, medalha de ouro no Concurso Mundial de Bruxelas de 2013. “Ela é suave e tem toque aromático de canela”, descreve Adames.

O engenho Sanhaçu, em Chã Grande (PE), responde, desde 2008, por dez cachaças orgânicas certificadas, armazenadas em madeira de freijó, carvalho e umburana. A Sanhaçu Umburana, maturada por dois anos em barris de umburana, ficou em 25º lugar no segmento Ouro, com avaliação de 76. Tem notas de canela com toque de especiarias, embora com sabor mais neutro. “Ela consegue um refinamento do álcool, polindo suas características”, indica o consultor. Outro destaque da empresa, no segmento das Cachaças Brancas, é a Sanhaçu Freijó, na segunda colocação (nota 76), com dois anos de maturação na madeira de freijó. O sabor amadeirado é suave, com viscosidade bem presente.

A cachaça Matriarca vem da região de Prados (BA), mais especificamente a fazenda Cio da Terra, no município Medeiros Neto. A produção da pinga existe há cerca de três décadas e concentra quatro produtos, como a Matriarca Ouro Jaqueira, que ficou em 32º lugar no segmento Ouro, nota 69,7. “Seu toque frutado lembra, justamente, o sabor da jaca, além de aroma amadeirado e um quê de picante”, observa Adames.

Mas o case que mais surpreendeu foi o da Destilaria de Cachaça da Amazônia, de Abaetetuba (PA), que produz os rótulos Indiazinha desde o início dos anos 1990. Entre eles, a Indiazinha Flecha de Ouro, que passa por um blend de 18 meses de maturação em barris de amburana e castanheira. “A amburana é mais presente, trazendo para notas pronunciadas de baunilha.” O rótulo, único da região Norte no ranking, ficou em 19º lugar no segmento Ouro, com nota 79,3.