Juazeiro: a capital do bode

Técnicos agropecuários locais atendem os produtores ovinos da região para ensiná-los técnicas que permitam a inserção do animal no mercado com maior qualidade e, consequentemente, melhor preço.

Juazeiro: a capital do bode

Laércio Filho e Edjane Passos são técnicos agropecuários em Juazeiro. Ambos atendem os produtores ovinos da região para ensiná-los técnicas que permitam a inserção do animal no mercado com maior qualidade e, consequentemente, melhor preço.

“As cabras, antigamente, ficavam soltas e não tinham nenhum tratamento adequado. Seja no tratamento de doenças ou na lida do dia-a-dia”, diz Edjane. “Hoje existe até mesmo um acompanhamento de melhoria genética do animal.” A técnica conta que, no passado, era necessário esperar 3 anos para o bode chegar ao peso de quinze quilos, o ideal para o abate. Agora, bastam 5 ou 6 meses. Com a mudança, a carne do bode, por ser jovem, se torna mais macia e mais apreciada. “A gente sente que os consumidores têm exigido mais qualidade e os produtores acabam tendo que acompanhar essa exigência”, revela Edjane.

Laércio observa que a carne de bode de Juazeiro possui outro diferencial em relação aos ovinos de outros lugares. “Nossa Caatinga é muito rica. As plantas daqui tem boa carga protéica. E a Caatinga influencia bastante no sabor da carne do animal. É por isso que o bode de Juazeiro é tão apreciado”, diz Laércio. Ele declara que, atualmente, há ainda a diferenciação dos cortes do animal. “No tempo dos meus pais, a mulher matava o bode, tirava o osso, salgava e estendia num varal para consumi-lo ao longo de semanas. Hoje não. Agora a gente pode saborear o pernil, a paleta, o carré, o filé e até a picanha do bode.” É por esses motivos que Juazeiro se tornou a capital nacional do bode.