Já pensou em usar cactus nas suas receitas?

Cactos são plantas suculentas adaptadas para sobreviver em regiões áridas, como a caatinga brasileira.

Já pensou em usar cactus nas suas receitas?

Cactos são plantas suculentas adaptadas para sobreviver em regiões áridas, como a caatinga brasileira. As características mais comuns que apresentam são espinhos e raízes pouco profundas, distribuídas próximas da superfície do solo. Possuem grande capacidade de captar e reter água de lugares onde não chove usualmente. Outro dado sobre as cactáceas é que algumas dessas espécies podem ser utilizadas na culinária.

Em Canindé do São Francisco, o jovem Timóteo Domingos se tornou conhecido por utilizar cactos nas receitas. “Desde criança, sempre tive contato com as plantas da caatinga. Ao redor da minha casa, tem facheiro, mandacaru, palma, xique-xique, cabeça-de-frade”, diz. “Mas nunca ninguém tinha usado os cactos na cozinha. Eles sempre serviram para alimentar o gado, não as pessoas”. Até que um dia, Timóteo decidiu testá-los em receitas. “Comecei fazendo uma cocada com cactos. Eu tinha pouco coco e decidi usar um pedaço de mandacaru. Tirei os espinhos, lavei bem, ralei e coloquei na cocada. E deu certo”, lembra Timóteo.

Após a primeira receita, vieram outras criações, como bolos e tortas; todos feitos com cactos. “Daí, passei a vender na escola algumas das minhas receitas. O problema maior foi quebrar o preconceito das pessoas, que sempre acharam que cactos era comida de gado. Mas quem provava gostava. Passei, então, a aceitar encomendas e a criar novas receitas, como mousses, pudins, salgados e pizzas. Com relação ao sabor, o cozinheiro diz ser algo neutro, “que pega o sabor dos temperos usados”. “Tem gente que fala que parece chuchu, mas eu acho melhor”.

Em um passeio pelos arredores da casa onde vive, Timóteo demonstra um grande conhecimento sobre as cactáceas ali existentes. Apontando para uma espécie de pequeno porte, indica: “essa é a macambira, cuja raiz tem uma espécie de batata que armazena água e supre a sede do trabalhador”. Mais adiante, indica outras plantas: “ali é o facheiro, que cresce para cima.
Lá é o xique-xique, para os lados. Ambos dão frutas que são deliciosas”, garante. Uma nova cactácea é apresentada: “aqui é o mandacaru, cujo miolo retém muita água. É da polpa dele que faço muitas receitas”, explica. Timóteo conclui o passeio dizendo que, mais importante que fazer receitas com os cactos, é mostrar para as pessoas que há riqueza no lugar onde vive. “Ninguém nunca ligou para a caatinga. Por isso, gosto de usar tudo que nela dá. É um bioma que deveria ser mais valorizado”, diz o jovem com mentalidade rara em pessoas menos experientes.