Bode no buraco: uma tradição da Paraíba

Entenda a tradição da Paraíba de preparar o bode no buraco.

Bode no buraco: uma tradição da Paraíba

O Lajedo de Pai Mateus é uma extensa elevação rochosa composta por vários blocos de granito que chegam a pesar 45 toneladas. É também um sítio arqueológico que fora habitado por povos indígenas pré-históricos. Reza a lenda que Pai Mateus foi um ermitão curandeiro que ali viveu no século 18. O lajedo está situado dentro de uma propriedade particular: o Hotel Fazenda Lajedo Pai Mateus, que se tornou conhecido por manter viva a tradição do preparo do bode no buraco. 

Romero Alves de Faria é o responsável pelo preparo do prato. “O bode é o animal que melhor representa a nossa região”, diz, referindo-se ao Cariri Paraibano, conhecido por ser um dos locais que menos chove no país. “Ele consegue sobreviver com muito pouco, alimentando-se quase que exclusivamente de cactos e folhas de macambira”. Sobre o preparo da receita, Romero explica que esse tem início na véspera, quando o animal é temperado com alho, cominho, colorau e cebola. Segue-se a arrumação dos ingredientes em uma panela grande. Em camadas, intercala-se a carne com verduras e legumes como couve, repolho, tomates, pimentões, batata doce, batata-inglesa, vagem, jerimum, banana-da-terra e milho. A panela é, então, colocada em um profundo buraco com brasas incandescentes, onde permanecerá por três horas. Cobre-se o buraco com uma tampa e,  depois, areia. Segundo Romero, a técnica foi herdada de povos indígenas da América Central. Passado o tempo de cozimento, o buraco é reaberto, e a panela, retirada. O bode, cuja carne está se desmanchando tamanha a maciez, é servido em prato fundo junto dos legumes, das verduras e de um pirão feito com o caldo do cozimento.