Doces Goianos: você nunca viu nada igual

Com o objetivo de preservar a memória de Cora Coralina e recuperar a tradição doceira da cidade, a secretária municipal de Goiás criou o projeto Mulheres Coralinas.

Doces Goianos: você nunca viu nada igual

Doces Goianos A cidade de Goiás, antiga capital do estado, é conhecida por muitos como a cidade de Cora Coralina. A moradora mais ilustre do município, doceira e poetisa deixou um rico legado patrimonial. Além dos inúmeros poemas que deixou, as receitas de doces cristalizados são hoje reproduzidas com esmero pelas doceiras vilaboenses.

Com o objetivo de preservar a memória de Cora Coralina e recuperar a tradição doceira da cidade, a secretária municipal de Goiás criou o projeto Mulheres Coralinas. A coordenadora Ebe Lima revela que “alguns moradores da cidade perceberam que os doces tradicionais estavam deixando de ser feitos por serem trabalhosos, como a flor de coco – feito com fitas de coco moldados em formato de uma rosa –, o pastelinho – uma espécie de empada recheada com doce de leite –, o confeito de amendoim, o doce de casca de limão e a ambrosia”. Ebe diz que o projeto visa reunir senhoras doceiras para passarem o conhecimento do ofício à próxima geração. “O Mulheres Coralinas é uma celebração de saberes. E, através desses encontros, estamos até descobrindo doces que ficaram esquecidos no tempo, como as passas de caju, o doce de mamão maduro e outros”.

Pirenópolis

A tradição doceira se faz presente em outra cidade histórica de Goiás. Em Pirenópolis, o chef Gilmar Borges se tornou um grande entusiasta dos doces feitos com as frutas do cerrado.

Ao pesquisar as tradições e os ingredientes regionais na cidade, ele encontrou senhoras com mais de 90 anos que fazem, por exemplo, balas de coco para serem distribuídas em festas religiosas, como a dos reinados de São Benedito e de Nossa Senhora do Rosário.

Gilmar diz que se encantou com o respeito que as senhoras pirenopolinas prestam à Festa do Divino Espírito Santo. “Elas preparam uma mesa repleta de verônicas, que é a massa de alfenim – açúcar, limão e clara de ovo – moldada com a pomba da paz ou o rosto de Cristo”, conta. O chef revela ter descoberto pessoas que fazem doces com frutas difíceis de se encontrar no meio urbano, como a cidra, a toranja, a laranja carranca e o cajuzinho do cerrado. “Provei e aprendi o preparo de iguarias como os doces de jabuticaba verde, de hibisco – tanto em calda quanto cristalizado –, de jiló, de abacaxi do cerrado”, diz. Ele conta que também é tradicional o preparo de licores, como o de jenipapo, “uma fruta que é absoluta, que, por onde ela passa, todos sentem a sua presença, por causa do forte aroma característico”. Gilmar conclui que somente com a valorização do conhecimento das doceiras será possível manter viva a rica cultura existente no interior de Goiás.